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Serviços e produtos de suporte

Tempo estimado de leitura: 9 minutos

Para fins desse manual, serviços e produtos de suporte são serviços altamente especializados que complementam e qualificam os projetos e serviços de maior escopo. Um EIA/RIMA pode ser feito de maneira bem rasa, sem quantificações baseadas em métodos científicos, sem critérios sólidos que possam subsidiar dados confiáveis. Estudos dessa natureza implicam em má instrução aos processos de licenciamento ambiental, trazendo altos riscos que podem acarretar em danos ambientais. Mas um EIA/RIMA também pode ser realizado com rigor científico, abrangência e profundidade de tal forma que traga plena segurança nas decisões de gestão. Muitas vezes o que diferencia um estudo do outro são justamente os serviços especializados realizados em cada etapa.


Cartografia digital #

O serviço de cartografia digital consiste na elaboração de mapas ou outros documentos de orientação geográfica em meio digital, geralmente através de softwares. É comum que o cliente se depare com a necessidade de elaboração de mapas, croquis de localização e plantas de empreendimentos que estão relacionados aos elementos ambientais da área. Com isso, a cartografia digital se inseriu como um dos elementos na consultoria ambiental. Os mapas surgem tanto como uma ferramenta técnico-ilustrativo de laudos, quanto documentos próprios solicitados nos termos de referência de diversas atividades. Ainda, os softwares utilizados permitem a análise e interpretação de dados que podem ser extremamente úteis na elaboração de documentação e na tomada de decisões.


Análises geográficas #

O uso de softwares, como o ArcGIS e o QGIS (que serão examinados com mais profundidade posteriormente em Sistemas e Aplicativos), permite a análise geográfica de dados obtidos em campo. Um exemplo simples e cotidiano é comparar a localização de árvores de interesse conservacionista com o projeto de intervenção no meio biótico que se têm em mãos. Dessa forma, tem-se as informações das árvores imunes ao corte, ameaçadas de extinção e passíveis de transplante que estão sobrepostas ao projeto de intervenção, possibilitando a análise de quais árvores precisarão ser transplantadas.

É óbvio que a análise dos dados necessita primeiro da coleta de dados, e portanto, sugere-se a leitura do capítulo quanto aos aplicativos de GPS no telefone em Sistemas e Aplicativos. Contudo, análises mais profundas podem ser realizadas com o aumento do conhecimento e com a necessidade. É possível, por exemplo, montar mapas utilizando modelos digitais de elevação que denotam áreas com declive acentuado e que podem ser suscetíveis à movimentos de massa.

O universo de possibilidades da cartografia digital na análise de dados é extremamente amplo. A seguir, discutiremos alguns dos usos mais comuns, para que você enquanto consultor ambiental possa fazer proveito da cartografia e saber que tipos de análises pode incluir em seus serviços. Ainda, você também receberá conhecimento de onde buscar os arquivos para montagem de mapas e como deixá-los apresentáveis, inclusive com modelo pronto.


Projeção de Áreas de Preservação Permanente #

A ferramenta Buffer permite que o limite de um curso hídrico (ou qualquer outro objeto) seja extrapolado utilizando uma distância pré-definida. Por exemplo, suponha que você tenha um curso hídrico com cinco metros de largura mapeado, e você queira uma feição que represente as faixas marginais de até 30m partindo do leito do rio, é possível fazer por meio do Buffer. E é exatamente com isso que são projetadas as Áreas de Preservação Permanente. Basta ter o mapeamento do curso hídrico, e extrapolar as margens com base na distância que você quer, que nesse caso é a distância definida pelo Código Florestal (Lei Federal n° 12.651/2012).


Exemplo em que foi utilizada a delimitação de um curso hidrico (em azul) para projetar a sua Área de Preservação Permanente (em verde).
Fonte:© Quadrat Ambiental.

Avaliação quanto à influência em Unidades de Conservação #

Ainda utilizando a ferramenta Buffer, é possível projetar feições com base em pontos, assim desenhando um círculo entorno do seu objeto. Isso é útil ao delimitar-se os raios de influência de um empreendimento sobre as Unidades de Conservação, pois permite que você diga qual o raio de influência que quer considerar, e então basta comparar visualmente com as feições das unidades de conservação, que podem ser facilmente baixadas.


Mapa demonstrando o raio de influência de um empreendimento em relação às Unidades de Conservação. O raio de influência foi delimitado por meio da ferramentaBuffer.
Fonte:© Quadrat Ambiental.

Mapeamento de ambientes e usos do solo #

Através da construção de “shapes”, que é o arquivo utilizado para representar feições em softwares de informação geográfica, é possível desenhar e mapear os diferentes ambientes encontrados em vistoria ou usos do solo de uma determinada região. Com isso, também é possível calcular a extensão geográfica desses elementos, e apresentar os dados de forma gráfica, para que o técnico responsável consiga entender com maior precisão as diferentes fisionomias da gleba avaliada e/ou usos do solo. É uma excelente ferramenta auxiliar, e a construção de shapes permite uma infinidade de funções.


Mapa de usos do solo, onde os diferentes usos do solo foram vetorizados.
Fonte:© Quadrat Ambiental.

Mapas enquanto ferramentas ilustrativas #

Os mapas ainda podem surgir não como uma ferramenta de análise de dados, mas tão simplesmente para apresentar os dados obtidos. Por exemplo, ao elaborar um Laudo de Cobertura Vegetal em que o levantamento se deu por meio de parcelas, pode ser útil apresentar a localização das unidades amostrais na área avaliada para que os técnicos do órgão ambiental visualizem geograficamente os locais que foram amostrados, não somente as coordenadas geográficas. Ou, uma técnica comumente aplicada é utilizar os mapas para ilustrar a caracterização regional do seu laudo, isto é, apresentar informações da área em relação às bacias hidrográficas, aos biomas, aos climas, às fitofisionomias, entre outros. Dessa forma, além de tornar o laudo esteticamente agradável, você demonstra que os dados da caracterização regional estão embasados.


Mapa das fitofisionomias existentes no município de Três Coroas/RS.
Fonte:© Quadrat Ambiental.

Mapa de algumas bacias hidrográficas do Estado do Rio Grande do Sul.
Fonte:© Quadrat Ambiental.

Onde posso buscar shapes? #

Existem uma infinidade de lugares que disponibilizam arquivos em .shp ou outros formatos para serem utilizados em seus mapas. Naturalmente, a base cartográfica existente hoje em dia é muito ampla, e assim precisa ser para que a cartografia digital tenha fundamento. Às vezes não é possível desenhar todas as feições que são necessárias para um determinado mapa, é preciso tê-las de antemão, embora os cartográfos também vetorizem muita coisa. Existem bases de dados pagas e bases de dados gratuitas, bem como bases de dados confiáveis e outras nem tanto. A dica é sempre optar por aquelas provenientes de entidades governamentais, como: INPE, IBGE, IBAMA, órgãos estaduais e municipais, etc.

Um dos principais orgãos capaz de fornecer esse tipo de arquivo é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um dos elementos que pode ser facilmente conseguido é a malha municipal de todos os estados brasileiros, que inclui os limites municipais, das federações, as regiões geográficas intermediárias e imediatas. Para ter acesso a esses arquivos, basta pesquisar pela malha municipal e selecionar o seu estado e quais arquivos precisa.

Sugerimos também que você conheça o Banco de Dados e Informações Ambientais (BDIA), que possui shapes relacionados a geologia, geomorfologia, pedologia e vegetação. Note que os arquivos shapefile não são meramente desenhos georreferenciados, mas sim verdadeiras bases de dados. Recomendamos que você baixe os arquivos do BDiA e tente abrir a tabela de atributos de um deles usando qualquer software GIS, e perceberá a quantidade de informações que cada arquivo pode armazenar.

Caso busque por arquivos relacionados ao setor de mineração, sugerimos o Sistema de Informações Geográficas da Mineração (SIGMINE), mantido pela Agência Nacional de Mineração (ANM). Para trabalhos em áreas rurais, pode ser interessante consultar o Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SICAR). Se quiser consultar dados relacionados a conservação da biodiversidade, como limites de Unidades de Conservação, veja Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Ainda, dados relacionados a vegetação nativa podem ser encontrados pelo Portal TerraBrasilis.

A busca de arquivos também dependerá muito do local de onde você quer as informações, por isso a importância de consultar órgãos estaduais e municipais. No Estado do Rio Grande do Sul, a SEMA e a FEPAM são excelentes fornecedores de dados, bem como é possível encontrar portais de geoinformação em diferentes municípios. Acaso você preste consultoria e assessoria ambiental no RS, sugerimos consultar os arquivos da FEPAM e da SEMA, ou em casos mais específicos, até mesmo do Sistema de Outorga de Água do Rio Grande do Sul (SIOUT) ou do Zoneamento Econômico-Ecológico (ZEE).

Por fim, a nível internacional existem diversos outros portais de geoinformação e dados geográficos, como aqueles do Open Street Map, do Natural Earth, do USGS EarthExplorer e HydroSHEDS. Recomendamos que você feche um pouco esse manual e explore essas bases de dados que te indicamos, bem como outras, para montar seu próprio repósitorio de shapefiles, que certamente aumentará a eficiência e qualidade dos teus mapas.


Como tornar os mapas mais apresentáveis #

A sua primeira prioridade deve ser tornar os mapas úteis. Portanto, nunca poderá esquecer de adicionar os elementos obrigatórios de qualquer mapa: título, legenda, escala cartográfica, orientação e projeção. Sem isso, você até mesmo poderá atingir um resultado graficamente interessante, mas será pouco relevante do ponto de vista cartográfico e técnico. Esses elementos são base para que o mapa tenha sentido e seus elementos possam ser lidos e compreendidos.

O segundo passo é tornar os mapas esteticamente agradáveis, e para isso será necessário a sua criatividade. Os softwares GIS permitem uma infinidade de possibilidades para a simbologia, ou seja, para como você irá apresentar as feições. Ainda, há a necessidade da criação de um “layout de impressão”, que é como o seu mapa será visto no final, no arquivo digital ou no papel (caso decida imprimir). Portanto, é essencial também que haja esmero na montagem do layout de impressão, para que não só o processamento de dados esteja consistente, mas também a apresentação de seu mapa seja agradável. Para auxílio, esse manual contém junto um modelo de mapa para ser utilizado livremente, disponível para [download], com um layout de impressão pré-pronto, bem como os shapefiles necessários para a sua utilização. Note que será necessário ter conhecimento sobre o software QGIS para que possa utilizar este modelo, mas, ele certamente lhe ajudará caso esteja confuso em como realizar a apresentação visual de seus mapas.

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