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História e futuro da CAA

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A história da consultoria e da assessoria ambiental como um setor da economia de serviços corre paralela à história do movimento ambientalista. De fato, é graças a esse movimento social que, com a emergência relativamente generalizada da consciência ambiental e sua subsequente legislação ambiental, surgiram demandas para prestação de serviços especializados no controle da poluição. No passado, pouco se sabia sobre como evitar, reduzir, controlar, remediar, compensar ou mesmo reportar impactos ambientais, pois essa preocupação não era generalizada. Os problemas existiam, mas as soluções para estes, ou não existiam, ou estavam confinadas ao mundo acadêmico da pesquisa.

As certificações não zeraram as poluições. Mas são direções importantes para otimizar nosso lugar na biosfera.
Fonte:© GratisPNG.

Na medida em que ambientalistas alertavam para a população e a mídia divulgava para a sociedade os estragos e perdas relacionadas à poluição, assim como os riscos à saúde, isso despertava o interesse de políticos e futuras lideranças. Um dos maiores marcos foi a publicação do livro Primavera Silenciosa (1962), de Rachel Carson, alertando sobre os perigos dos pesticidas, especialmente o DDT, hoje proibido em muitos países, incluindo o Brasil. A demanda começou a se intensificar significativamente nos anos 80 e se tornou rapidamente maior do que a comunidade acadêmica podia atender. Assim, surgiu inicialmente a profissão de consultor ambiental (geralmente um professor universitário que atuava também com consultoria), que na medida que adquiria experiência e inserção no mercado, tornou-se também o assessor ambiental.

No Brasil, o primeiro órgão estadual de governo a se envolver com tramitação para autorizar o funcionamento de atividades econômicas, analisando prioritariamente as relações destas com o meio ambiente, isto é, que se envolveu com o que chamamos hoje de licenciamento ambiental, foi a CETESB, fundada em 1968 (SÃO PAULO (Estado), 2018). Na sequência, o estado da Bahia criou o primeiro Conselho Estadual de Meio Ambiente, fundado em 1973 (BAHIA, 2025). Já a Política Nacional de Meio Ambiente foi publicada somente em 1981 (BRASIL, 1981). Apesar disso, o Código Florestal Brasileiro, publicado em 1965 com a Lei Federal nº 4.771 (BRASIL, 1965) foi a primeira norma legal onde surgiu o conceito de Área de Preservação Permanente. Outro passo importante para a construção da legislação para a proteção do meio ambiente foi a inclusão do Art. 225 na Constituição Brasileira, colocando o meio ambiente como uma responsabilidade do poder público e da coletividade (BRASIL, 1988).

AFEPAM (Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luís Roessler) leva o nome de um dos pioneiros do ambientalismo no Brasil.
Fonte:© FEPAM.

Esse processo de formação de políticas públicas, de normas e legislações de proteção ambiental foi consolidando espaço de mercado para atuação daqueles profissionais interessados em atender os empreendedores que, diante de tais obrigações, necessitavam de consultoria e assessoria.

Hoje existem desde microempresas a grandes empresas multinacionais, e inclusive, franquias com milhares de colaboradores altamente qualificados trabalhando no controle e mitigação da poluição em dezenas de países. Esses profissionais, além de proporem projetos e estudos, por vezes também agenciam a aquisição de maquinário, insumos, equipamentos e produtos inclusos em seus respectivos projetos, girando uma economia de bilhões de dólares ao ano (VERIFIED MARKET REPORTS, 2024). O conjunto de proposições tecnológicas e de serviços torna-se, assim, o grande responsável pela redução dos impactos ambientais oriundos do desenvolvimento econômico.

Porém, o desenvolvimento sustentável não depende apenas de inovação tecnológica, mas de formas de pensar, isto é, paradigmas que possam ser popularizados e adotados pela sociedade que inclusive viabilizam a adoção de novas tecnologias. Processos culturais são fundamentais para essa transformação. Nessa interação entre o que pode ser feito e o que deve ser feito para que se polua menos, é onde encontraremos profissionais consultores e assessores ambientais, e é por isso que hoje as áreas de atuação são tão diversificadas, incluindo a comunicação social, a geografia, as artes e a educação.

O mundo não está pronto e jamais estará. Nesse momento da história procuramos múltiplas formas de continuar a epopeia humana na Terra sem destruir tudo que é vivo e que já funcionava maravilhosamente bem antes de entrarmos em cena como humanidade. A emergência de uma economia ambiental em torno dos serviços e produtos necessários para que se corrija o curso desta epopeia é algo extremamente positivo que não podemos perder de vista. Portanto, que seja visto, validado e estimulado para que seja breve.

Se a profissão do consultor ambiental desaparecer em algumas décadas, que seja pela vitória de termos alcançado uma cultura que já não sabe mais como viver sem que seja em plena sincronia com a biodiversidade; uma cultura que não precisa de ajuda quando se trata de não destruir; uma cultura sustentável, casada com o clima, com o planeta e com como ele ainda há de funcionar por muitos milênios.

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