Diferente dos Nichos de Mercado que estão mais relacionados com tendências do mercado, isto é, com pacotes de serviços e soluções criadas cujas demandas acabam se tornando uma tendência (e.g., certificação ambiental, créditos de carbono), as áreas de atuação dizem respeito às atribuições das diferentes especialidades ou profissões regulamentadas que se envolvem com consultoria e assessoria ambiental.
Analisar áreas de atuação da consultoria e assessoria ambiental é uma verdadeira aventura dentro da taxonomia do conhecimento. De fato, não há nada que não tenha relação, ainda que indireta, com o meio ambiente.
Por virtude de seu próprio conceito, o meio ambiente é abrangente e, por isso, trabalhar nesse domínio implica dizer que serão necessários profissionais de múltiplas disciplinas, além de profissionais que cruzam disciplinas. Aqui dividimos as áreas de atuação, isto é, as especialidades e os especialistas que atuam com consultoria e assessoria ambiental ou contribuem para este setor da economia, de forma relativa às ciências e às habilidades que estes profissionais desenvolvem ao longo de suas respectivas carreiras. Explicitamos, resumidamente, como que cada um contribui ou pode contribuir para a conservação e restauração da biodiversidade, evitando, reduzindo, controlando, remediando, monitorando, compensando e ensinando sobre impactos ambientais, entre tantas outras contribuições.
Não é uma tarefa fácil e, como é comum confundirmos formação profissional com identidade pessoal, (tendemos a acreditar que somos aquilo no que nos graduamos), esse capítulo pode soar relativamente controverso. Assim mesmo, achamos que é importante trazer esse panorama, mesmo que imperfeito, para que os futuros e presentes consultores ambientais se sintam estimulados a consultar e convidar outros profissionais de outras áreas para a coparticipação em seus trabalhos. Atrair disciplinas menos tradicionalmente vistas como influentes na consultoria e assessoria ambiental (i.e., filosofia, sociologia, medicina, economia, psicologia, artes, geografia, história) é fundamental para que se costure uma economia que tenha credibilidade e seja resiliente, mas, acima de tudo, que seja eficaz em prol de um desenvolvimento genuinamente sustentável. Não é só o desenvolvimento que precisa se fazer sustentável, mas a cultura.
Dividimos as áreas em especialidades com foco no meio biótico, foco no meio físico, foco social, e especialidades tipicamente com foco interdisciplinar. Essa divisão se dá, parte em função de como a consultoria e assessoria ambiental se estruturou ao longo dos anos, e parte em função de como os órgãos públicos estruturaram suas normativas. No sentido estrito, no licenciamento ambiental do RS, por exemplo, é obrigatório contar com profissionais do meio físico (e.g., geólogos, engenheiros químicos) e do meio biótico (e.g., biólogos, engenheiros florestais) para análise dos processos de licenciamento ambiental (i.e., documentos técnicos produzidos por profissionais destas áreas), e assim está explícito no artigo 6º da Resolução CONSEMA 372, de 01 de março de 2018. O que fizemos aqui foi apenas expandir essa classificação porque consideramos que em muitos casos, especialmente em grandes projetos socioambientais, é fundamental contar com o conhecimento e experiência de todas as áreas.
Para concluir, incluímos algumas áreas da saúde, como psicologia e medicina, dentro do tópico meio social, por mera simplificação, pois entendemos que quaisquer áreas do conhecimento são necessárias no tratamento dos problema ambientais e dos dilemas socioambientais.
