- Licenciamento ambiental
- Auditoria ambiental
- Certificações ambientais
- ESG e GRI
- Perícia ambiental
- Capacitação técnica
- Educação Ambiental
- Unidades de Conservação
- Gestão de projetos socioambientais
- Gerenciamento de resíduos
- Créditos de carbono
- Manejo da biodiversidade
- Estudos e pesquisas
- Áreas degradadas
- Bioengenharia
- Agroecologia
- Arquitetura sustentável e paisagismo regenerativo
- Arborização urbana
- Outros nichos de mercado para a CAA
Diferente das áreas de especialidades e especialistas que atuam na consultoria e assessoria ambiental, porém fortemente relacionadas (como veremos mais adiante), aqui falamos de nichos de mercado, isto é, de demandas específicas por produtos e serviços que resolvem um ou mais problemas em particular. Na medida que criamos novas formas de evitar, reduzir, controlar, remediar, compensar, monitorar e reportar impactos ambientais ou ainda de ensinar sobre esse impactos, estaremos criando espaços diferentes de inserção na economia. A combinação criativa de produtos e serviços que genuinamente resolvem problemas ambientais ou que abordam dilemas socioambientais aproximando-os de resolução acabam se tornando nichos de mercado.
Vejamos abaixo alguns exemplos mais difundidos no Brasil.
Licenciamento ambiental #
O licenciamento ambiental é um processo de conformação da atividade econômica com as normativas de controle, redução, monitoramento, remediação e compensação de impactos ambientais. É obrigatório para muitas atividades econômicas no Brasil, e em muitos outros países. A definição de quais atividades são passíveis de licenciamento ambiental depende do porte e do potencial poluidor da atividade. No Brasil, existe o Conselho Nacional de Meio ambientel (CONAMA) e os Conselhos Estaduais de Meio Ambiente que são colegiados representativos da sociedade civil responsáveis pela definição do que necessita ou não necessita licenciamento ambiental no país. A partir da Lei Complementar 140 também os municípios, visando maior restrição e dentro do regramento estabelecido pela respectiva unidade federativa, podem definir outras atividades de porte local que são passíveis de licenciamento ambiental, respeitando a Lei da Liberdade Econômica.
Durante o rito do licenciamento ambiental, o empreendedor é responsável por instruir o processo administrativo com uma ampla variedade de documentos. Alguns são de ordem administrativa referentes à constituição da empresa, isto é, sua natureza jurídica, seus sócios, sua relação com a propriedade onde se encontra, etc. Outros são de ordem técnica relativos à atividade econômica em si e a sua relação com o meio ambiente. A localização da empresa; seu processo produtivo; o que consome em termos de recursos naturais, de matéria prima; os processos de transformação da matéria; a geração, segregação, estocagem, tratamento e transporte de resíduos; quanto consome de água e energia elétrica; a geração, controle, tratamento e destinação de efluentes; assim como a geração, tratamento e controle de emissões atmosféricas; tudo precisa ser tecnicamente bem informado, com transparência e veracidade para que o agente público licenciador tenha segurança para emitir uma licença ambiental.

Fonte:© IMA/SC.
Quando o órgão público emite uma licença ambiental, sendo um órgão representante do público, quem está licenciando na verdade é, em tese, o povo. Dito de outra forma, se o empreendimento está em conformidade com as restrições e condições estabelecidas pela legislação (estabelecida por representantes do povo), a partir da análise de onde e como será instalado, e como irá operar, havendo conformidade legal, não deverá haver real motivo para se indeferir uma licença ambiental. Logicamente esse processo não deve ser “comprado” ou corrompido, sob o risco de graves consequências ao meio ambiente e às populações mais próximas do empreendimento. Não obstante, a fiscalização ambiental eficaz, exercida pelo órgão público ambiental, levará à demandas frequentes por consultoria e assessoria ambiental.
Isso significa que em determinado município, sua população aprova a instalação e/ou operação de um certo empreendimento, e o empreendedor poderá então dar andamento ao seu negócio, que em última instância visa lucro. No entanto, as interações das atividades econômicas com o meio socioambiental podem ser complexas e muitas vezes nem mesmo dados ou estudos estão plenamente disponíveis para subsidiar uma decisão. Nesses casos o licenciamento ambiental tende a ser mais demorado, pois pode inclusive ser necessário solicitar estudos mais aprofundados.
Devido à enorme variedade de atividades econômicas que possuem porte e potencial poluidor passíveis de licenciamento ambiental, é normal e essencial que os órgãos ambientais públicos também contem com profissionais de diversas áreas de atuação para analisar os documentos. Documentos estes que foram elaborados por outros tantos profissionais técnicos contratados pelo empreendedor.
Esse esforço coletivo de conhecer e controlar a poluição, tanto da iniciativa privada como dos órgãos públicos, é muito provavelmente hoje o principal motor que impulsiona o desenvolvimento econômico atual em direção ao desenvolvimento sustentável. Não é por menos que esse seja hoje o maior mercado de atuação da consultoria e assessoria ambiental.
Auditoria ambiental #
A auditoria ambiental é um processo sistemático e periódico de analisar, avaliar e documentar uma organização, instalação ou indústria quanto aos impactos ambientais associados a esta. Também possui o propósito de avaliar e implementar processos para evitar, reduzir, controlar, remediar, compensar, monitorar, reportar, comunicar e ensinar sobre os impactos ambientais associados a tal instituição.
É um nicho de mercado que ainda é pouco explorado, possivelmente porque em geral apenas médias e grandes empresas que buscam certificações ambientais terão interesse real em arcar com os custos de uma auditoria. Ainda, as auditorias não são obrigatórias, em princípio, para obtenção de uma licença ambiental. Entretanto, é altamente recomendável à consultoria ambiental que, ao assessorar uma empresa a obter sua licença ambiental pela primeira vez, se faça uma auditoria completa. Essa prática prepara a empresa e a consultoria para o licenciamento ambiental e identifica lacunas que podem ser supridas pela prestação de outros serviços de consultoria. Por exemplo, suponha que na ocasião de uma vistoria completa nos estabelecimentos de uma indústria são identificados resíduos industriais de outra empresa que ocupava a mesma propriedade antes de mudar de endereço. Trata-se de um passivo ambiental que necessitará ser resolvido em tempo hábil e que a empresa de assessoria ambiental poderá auxiliar.
A auditoria em si não assegura a certificação ambiental, mas sem ela, dificilmente uma certificação será obtida. Há que se auditar a empresa em todos os aspectos cobertos pela certificação desejada. Veremos abaixo mais alguns detalhes sobre certificações.
Cabe ressaltar que a auditoria ambiental não visa apenas a certificação. É, de fato, uma prática altamente recomendada para a empresa que deseja implantar ou renovar seu sistema de gestão ambiental, por exemplo. Mas, a auditoria não precisa ser genérica. Ela pode ser restrita a um aspecto em particular que a empresa deseja abordar. Por exemplo, auditoria das emissões de gases do efeito estufa (GEE), auditoria de conformidade ambiental, auditoria do ciclo de vida de um produto, auditoria de desempenho ambiental, e assim por diante.
A auditoria ambiental é em sua essência um diagnóstico temático de todos os processos, métodos, estruturas e relações do empreendimento com o meio ambiente ou de algum aspecto específico deste. Existem cursos e certificação para auditores também, pois o trabalho exige meticulosidade e conhecimento amplo sobre o processo produtivo do que se quer auditar.
Certificações ambientais #
As pressões para evitar, reduzir, controlar, remediar, compensar, monitorar, reportar, comunicar e ensinar sobre danos ambientais são pressões que impõem custos às organizações e empreendimentos poluidores. Como citado no capítulo anterior, se não fossem a legislação ambiental e os esforços do governo em fiscalizar e licenciar atividades poluidoras, pouco se faria voluntariamente. Afinal, o lucro é ainda o maior e mais inequívoco norte econômico de qualquer iniciativa que deseja se inserir na economia. Por isso, visando o lucro, junto a esses esforços de fiscalização e controle, também emergiram esforços de burlar o sistema e enganar a população. O marketing verde mentiroso, conhecido como greenwash, é um exemplo perfeito para essa prática de burla.
Para tanto e, também como consequência do greenwash, surgiram os serviços de auditoria e certificação que visam maior eficácia das políticas públicas ambientais. É obviamente embaraçoso ter sua marca associada ao greenwash. Daí advém as instituições certificadoras que, se dotadas de credibilidade no mercado, emitirão certificados com validade temporária atestando que uma determinada empresa está verdadeiramente custeando esforços para evitar, reduzir, controlar, remediar, compensar, monitorar, reportar, comunicar e ensinar seus colaboradores sobre os impactos ambientais de sua linha de produção e de seus produtos.
Certificação ISO 14001 #
A série ISO 14000, também adotada pela ABNT, inclui uma série de normas padronizadas que tratam da relação das organizações com o meio ambiente. Auditar a pegada hídrica (ISO 14046), por exemplo, é hoje uma prática útil à certificação ISO 14001. Não está no escopo deste manual explicitar todo conteúdo de cada norma. Mas, inserimos a tabela abaixo que cita fontes para aprofundamento.
| ISO 14001 | Sistema de gestão ambiental – Requisitos e diretrizes para uso |
| ISO 14004 | Diretrizes gerais sobre sistemas de gestão ambiental |
| ISO 14006 | Diretrizes para a incorporação de ecodesign nos sistemas de gestão ambiental |
| ISO 14015 | Avaliação ambiental de locais |
| ISO 14020 | Princípios e diretrizes para rotulagem ambiental |
| ISO 14024 | Rotulagem ambiental – Critérios para rotulagem tipo 1 |
| ISO 14025 | Declarações ambientais tipo 3 (Ecolabel) |
| ISO 14040 | Avaliação do ciclo de vida – Princípios e estrutura |
| ISO 14044 | Avaliação do ciclo de vida – Requisitos e diretrizes |
| ISO 14046 | Pegada hídrica – Princípios, requisitos e diretrizes |
| ISO 14050 | Terminologia ambiental |
| ISO 14064 | Gases de efeito estufa – Parte 1: Especificações e orientação para a quantificação e a verificação das emissões de gases de efeito estufa |
| ISO 14067 | Pegada de carbono – Requisitos e diretrizes para a quantificação e a comunicação da pegada de carbono de produtos |
| ISO 14080 | Mudança climática – Estrutura e princípios para a elaboração de normas de metodologias relacionadas à mitigação de mudanças climáticas |
Certificação LEED #
A certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) é amplamente adotada na arquitetura e construção civil. Segundo o Green Building Coucil, o Brasil é um dos países com maior número de edificações certificadas pela LEED. Específica para a construção civil, envolvendo principalmente profissionais da engenharia e da arquitetura, trata-se de um protocolo de auditoria que irá avaliar uma lista enorme de aspectos da relação da edificação com o meio ambiente. São considerados os gastos energéticos, hídricos, a origem do material e destino dos resíduos, entre muitos outros itens, que, com seu devido algorítimo e pesos específicos determinará um índice. Este índice é então utilizado pelas incorporadoras para os materiais publicitários, constituindo-se um marketing ecológico que evita o greenwash.

Fonte:© GBC Brasil.
Certificação FSC #
A certificação FSC (Forest Stewardship Council) é concedida a qualquer organização que faça parte da cadeia produtiva de produtos florestais. Com abrangência internacional, ela oferece um conjunto de certificações para diversas atividades do setor madeireiro, visando garantir a sustentabilidade dos processos envolvidos. A certificação de Manejo Florestal, por exemplo, é destinada a produtos oriundos de florestas manejadas de forma sustentável, conforme os princípios e critérios do sistema FSC. Esses princípios incluem desde a conformidade legal até a implementação das práticas de manejo, abordando aspectos como a preservação da biodiversidade, o respeito aos direitos das comunidades locais, e a gestão eficiente dos recursos naturais. Além disso, a certificação FSC visa a transparência e a rastreabilidade dos produtos ao longo da cadeia produtiva, permitindo que os consumidores escolham produtos que contribuem para a conservação ambiental e o bem-estar social.

Fonte:© Forest Stewardship Council.
ESG e GRI #
ESG e GRI são conceitos interligados e frequentemente utilizados em conjunto no contexto corporativo, por isso decidimos abordar ambos em um só tópico. Ambos estabelecem diretrizes para a prestação de contas sobre aspectos ambientais, sociais e de governança nas organizações. Empresas de médio e grande porte que desejam ir além da mera conformidade legal e aprimorar suas práticas de sustentabilidade têm buscado suporte profissional para implementar políticas ESG. Essas iniciativas são formalizadas em Relatórios de Sustentabilidade e outros documentos institucionais, frequentemente seguindo as normas do GRI, para comunicar suas ações de sustentabilidade a stakeholders e à sociedade em geral.
ESG #
O termo ESG deriva das palavras Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança) e representa um conjunto de diretrizes e boas práticas voltadas para a avaliação da sustentabilidade, responsabilidade social e qualidade da governança corporativa. Empresas que adotam políticas ESG buscam equilibrar os três pilares da sustentabilidade: ambiental, social e econômico.
Nesse contexto, a abordagem ESG vai além da preservação ambiental e da mitigação de impactos ecológicos, abrangendo também fatores como inclusão social, relações trabalhistas, transparência na gestão e ética nos negócios. Consultores e assessores ambientais desempenham um papel fundamental na orientação das empresas para a implementação e aprimoramento dessas políticas.

Fonte:© Freepik.
GRI #
O Global Reporting Initiative (GRI) é um dos principais padrões globais para a elaboração de relatórios de sustentabilidade. Ele permite que empresas comuniquem, de maneira estruturada e transparente, seus impactos ambientais, sociais e de governança (ESG). O GRI abrange uma ampla gama de temas, incluindo emissões de carbono, gestão de recursos naturais, diversidade, direitos humanos e ética corporativa.
Para consultorias ambientais, esse serviço envolve a coleta e análise de dados, a estruturação do relatório conforme as diretrizes GRI e o alinhamento das ações corporativas com metas globais, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Fonte:© Global Reporting Initiative.
Perícia ambiental #
A perícia ambiental é um nicho estreitamente relacionado a casos judiciais. Em essência, envolve vistorias metódicas, meticulosas e bem instrumentalizadas, seguidas da emissão de laudos altamente qualificados com linguagem técnica e jurídica. A perícia ambiental, busca, acima de tudo, precisão de argumento sustentada por provas incontestáveis do que se afirma e por isso a descrição e replicação das metodologias empregadas é fundamental.
As perícias ambientais são usualmente solicitadas para confirmar a ocorrência de um dano, sua origem e sua extensão. Alinhadas à sua finalidade jurídica, servem como base para que as autoridades possam reconhecer o dano, identificar os responsáveis e aplicar as penalidades cabíveis. Além disso, assim como em outras áreas da perícia, há casos de perícia extrajudicial, realizada fora do âmbito judicial, mas seguindo os mesmos critérios rigorosos de metodologia e fundamentação técnica.
Capacitação técnica #
Naturalmente, em um universo diversificado de problemas e soluções, aberto à inovação, é preciso estar em constante atualização. O know-how dos profissionais está sempre evoluindo e por isso o que você aprende hoje poderá ensinar amanhã. A capacitação técnica é bem diferente da Educação Ambiental (que veremos abaixo). Aqui tratamos geralmente de cursos que ensinam como abordar um problema específico com ferramentas específicas; o produto (conteúdo do curso) é dirigido a profissionais que desejam utilizar o conhecimento no seu trabalho.
Nesse nicho de mercado, incluímos cursos de manejo da biodiversidade (i.e., poda, transplante e supressão da flora, afugentamento e resgate de fauna), cursos de tratamento de resíduos (e.g., sólidos, efluentes e emissões atmosféricas), cursos de utilização de equipamentos e máquinas (e.g., pilotagem de drones, levantamento topográfico), cursos de tratamento de dados (i.e, elaboração de mapas, MDT e MDS, nuvem de pontos), e quaisquer outros cursos que atualizam profissionais que desejam entrar em um determinado nicho.
Educação Ambiental #
A prestação de serviços de educação ambiental é bem mais complexa do que a maioria dos consultores ambientais costuma considerar. Diferente da capacitação técnica, aqui o público alvo geralmente são pessoas leigas em assuntos de ordem técnica ambiental, que podem ser de qualquer idade, desde bebês à idosos.
Por ser educação e por ser ambiental (dois termos muito abrangentes), a educação ambiental tem definições diversas e até controversas na academia. Apesar disso, o paradigma que prevalece ainda é o da educação sobre o meio ambiente e para o meio ambiente, onde o profissional educador, munido de conhecimento sobre algum aspecto do meio ambiente, levará tal conhecimento ao público alvo, geralmente de forma criativa e envolvente (lúdica), para explicar ou demonstrar como devemos tratar tal situação para evitar danos ambientais.
Porém, essa abordagem, embora pragmática, quando restrita a uma cadeia de causa e consequência imediatas, isto é, sem tratar de questões humanas, inclusive da psicologia social, de classes sociais, de controle social, de expansão econômica e até de geopolítica, carece de reflexão e corre o risco de ser vazia, repetitiva e obsoleta. Por isso, muitas iniciativas de educação ambiental envolvem a arte, a comunicação, o inclusive o ativismo e a experiência de vida.
Unidades de Conservação #
As Unidades de Conservação (UC) são espaços territoriais e seus recursos ambientais, legalmente instituidos por atos do Poder Públicos (leis ou decretos) que possuem um regime especial de administração que objetiva a preservação da biodiversidade, dos ecossistemas e dos recursos naturais. O regime de proteção, isto é, a rigidez no controle da exploração ambiental varia de acordo com o tipo de UC, mas, todas elas devem contribuir com a preservação dos recursos naturais em seu território.

Fonte:© Quadrat Ambiental.
A Lei Federal 9.985, de 18 de julho de 2000 criou diferentes tipologias para as UC’s no Brasil, segundo os objetivos traçados para seu uso, a natureza jurídica da propriedade, seus aspectos ambientais e seu porte. Assim, por exemplo, temos unidades de conservação de proteção integral e uso sustentável. A tabela abaixo explicita melhor a categorização adotada na legislação.
| Uso | Categoria |
|---|---|
| Unidade de Conservação de Proteção Integral | Estação Ecológica (ESEC) |
| Reserva Biológica (REBIO) | |
| Parque Nacional (PN) | |
| Monumento Natural (MN) | |
| Refúgio de Vida Silvestre (RVS) | |
| Unidade de Conservação de Uso Sustentável | Área de Proteção Ambiental (APA) |
| Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) | |
| Floresta Nacional (FLONA) | |
| Reserva Extrativista (RESEX) | |
| Reserva de Fauna (RF) | |
| Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) | |
| Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) |
Obviamente, para que se registre uma unidade de conservação e que tenha fé pública, isto é, que seja respeitada, protegida e perpetuada, é necessário percorrer um rito semelhante ao do licenciamento ambiental, onde o cliente (município, unidade federativa, união, pessoa física ou jurídica) instrui o processo com documentos técnicos sobre a área. Deverão ser apresentados, por exemplo, um diagnóstico descritivo e visual completo da área e um plano de manejo detalhado. Os profissionais da consultoria e assessoria ambienal pode atuar na elaboração destes documentos, bem como no acompanhamento da tramitação junto aos órgãos públicos.

Fonte:© ICMBio.
Gestão de projetos socioambientais #
Dada a quantidade de fontes de financiamento de projetos de cunho socioambiental no Brasil, é natural que pessoas ou empresas interessadas em acessar tais recursos poderão precisar de assessoria na concepção, redação, coordenação, articulação, execução e prestação de contas de projetos socioambientais. Esse nicho continua extremamente fértil, porém é relativamente complexo de precificar e contratar, exigindo, muitas vezes, bastante tempo e investimento de recursos bem antes de haver algum retorno. Mas a sua natureza transdisciplinar e interdisciplinar permite ao consultor ambiental um crescimento profissional distinto, já que é no timão destes projetos que se alcança a real compreensão da complexidade dos problemas ambientais. Por um lado, nos deparamos com problemas ambientais que precisam ser resolvidos (e.g., poluição), por outro, nos deparamos com questões de justiça ambiental que precisam ser tratadas (e.g., discriminação dos serviços de reciclagem). Dependendo do contexto que você se envolve e do projeto em si, poderão se passar anos de envolvimento profissional que se somam para uma carreira enriquecida de experiências.
Gerenciamento de resíduos #
O gerenciamento de resíduos é um dos nichos mais aquecidos no mercado brasileiro e no mundo. O problema da geração de resíduos numa economia linear é muito difícil de resolver. Há um espaço imenso para inovações tecnológicas e de gestão nessa área. Praticamente tudo que se produz, industrialmente ou artesanalmente, gerará resíduos que podem ser sólidos (i.e., lixo), líquidos (i.e., efluentes) ou gasosos (i.e., emissões atmosféricas, emissões sonoras). Cada um destes resíduos, em quantidades inadequadas para processamento ou convívio natural saudável, são, em sua essência, poluição. A partir disso, evitar, reduzir, controlar, remediar, compensar, monitorar, reportar, comunicar, ensinar sobre o assunto são serviços que podem ser prestados pelos profissionais da área ambiental.
Créditos de carbono #
Os créditos de carbono são ativos (por vezes classificados como “moedas” ou “certificados”) que representam efetiva retenção, redução ou remoção do equivalente a uma tonelada de dióxido de carbono (1tCO2e), obtido a partir de programas relacionados aos GEE (Gases do Efeito Estufa). Estes créditos são válidos tanto para instituições públicas e privadas e sua obtenção deve obedecer as metodologias nacionais e internacionais que adotam critérios e regras para sua mensuração e verificação de emissões.
O mercado relacionado aos créditos de carbono está em fase de consolidação, e teve como principal balizador recente a Lei n° 15.402, de 11 de dezembro de 2024, a qual institui o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases do Efeito Estufa (SBCE). Este mercado pode ser particularmente interessante para empresas pois os Créditos de Carbono são ativos transicionáveis, isto é, passíveis de troca e podem ser negociados.
Conforme este mercado se consolida, as empresas se interessam em adquirir esse novo ativo transacionável, ainda mais aquelas que já possuem iniciativas associadas à programas de ESG. Trata-se uma vantagem financeira para empresas investirem nesse mercado quando já investem em conservação e restauração do meio ambiente; o próprio meio ambiente somente se beneficia disso.
No entanto, à medida que o mercado de créditos de carbono ganha robustez e amparo em território brasileiro, as empresas necessitarão de suporte especializado para se integrarem a esse nicho. Essa demanda cria uma oportunidade para profissionais da CAA que busquem especialização no segmento, posicionando-se como parceiros estratégicos para organizações interessadas em explorar o potencial dos créditos de carbono.
Manejo da biodiversidade #
O manejo da biodiversidade é uma atividade essencial à conservação e restauração ecológicas. Por manejo, nos referimos a tudo que envolve manusear ou interferir na fauna e na flora. Por exemplo, anterior à supressão vegetal é essencial que se inspecione, se afugente e se resgate animais que possam sofrer as consequências da queda de árvores. Da mesma forma, espécies epífitas podem facilmente ser transplantadas para continuidade das populações.
Nesse nicho, incluímos ainda o serviço que está ganhando popularidade: o resgate e afugentamento de fauna silvestre em ambientes urbanizados. Com o avanço da urbanização e da agricultura, é natural que a interação entre pessoas e animais silvestres se intensifique. Para evitar ainda mais danos, há que se agir de forma responsável no momento destes encontros. Por isso, a remoção e realocação de fauna silvestre é um espaço de trabalho que está crescendo no mercado.
Manejo de biodiversidade também inclui os serviços de transplante, poda e supressão de vegetação arbórea, seja por motivos de risco (i.e., queda de galhos, ou da árvore toda), ou por motivos de ocupação do solo com edificação ou outros empreendimentos. O manejo de árvores de grande porte é uma atividade de alto risco que exige treinamento e equipamento especializado, não apenas para segurança das pessoas que trabalham com esse serviço como também para estender a longevidade das árvores.
Um outro nicho crescente de manejo da biodiversidade é o controle populacional de aves no entorno de aeroportos e indústrias de produtos alimentícios, seja por motivos de segurança das aeronaves como por motivos sanitários. No primeiro, além do uso da falcoaria, hoje usam-se também drones e equipamentos direcionadores de sonorização de predadores, o que acaba por afugentar os animais.
Estudos e pesquisas #
Assim como o licenciamento ambiental, esse é um dos nichos mais amplamente ocupados neste ramo, já que é impossível conceber a instalação de qualquer empreendimento, em qualquer local, sem que antes se conheça o ambiente onde tal empreendimento se instalará. Por estudos ambientais, nos referimos a todo trabalho realizado por profissionais que envolve algum tipo de diagnóstico ou levantamento ambiental. Aqui também incluímos análises ambientais, sejam elas físicas (e.g., sondagem geológica, testes de percolação, etc.), químicas (e.g., parâmetros de potabilidade e balneabilidade da água, parâmetros de efluentes e emissões atmosféricas, etc.) ou biológicas (e.g., cobertura vegetal, estimativa populacional, etc.).
Alguns estudos são mais simples e rápidos, sem finalidade acadêmica, visando a descrição quantitativa e qualitativa de uma determinada área de pequeno porte para fins de identificação e consideração sobre os possíveis impactos ambientais de uma determinada obra (e.g., laudos de meio biótico). Outros podem ser bem mais complexos e de longo prazo, que visam a construção de conhecimento para subsidiar decisões de gestão regional, estadual ou mesmo nacional (e.g., inventário florestal contínuo, zoneamento econômico ecológico).
Qualquer que seja o porte ou extensão do estudo ou da pesquisa, há que se primar pela adoção de metodologias replicáveis e fiscalizáveis, já que, em muitos casos, estes estudos são realizados para nortear o desenvolvimento econômico.
Áreas degradadas #
Notoriamente, a intervenção em áreas degradadas é um dos nichos de mercado encontrados no ramo da consultoria e assessoria ambiental. Aqui, o nível de complexidade é muito variável conforme as condições de degradação da área, que irão interferir diretamente naquilo que deve ser feito para que se recupere. Alguns trabalhos exigirão apenas a recomposição vegetal, podendo se beneficiar de processos de sucessão ecológica para acelerar a recuperação. Em outros, a área foi de tal modo intervida que serão necessários processos muito mais complexos e inclusive interdisciplinares, como recomposição topográfica (em minerações) ou descontaminação de metais pesados (em casos de contaminação química).
Os trabalhos que envolvem áreas degradadas podem surgir a partir de exigências de licenciamento ambiental, cumprimento de TACs (Termo de Ajuste de Conduta) ou outras exigências jurídicas e até mesmo de caráter voluntário de interessados na recuperação dessas áreas, como municípios que desejem recuperar a mata ciliar urbana. Ainda, estes trabalhos não se limitam somente a elaboração de documentos e orientação do processo, pode-se assumir a responsabilidade por toda a execução do trabalho e posterior monitoramento. Abaixo, detalharemos três classificações para os trabalhos envolvendo áreas degradadas.
Recuperação #
Possuindo como objeto a restituição de um ecossistema a uma condição não degradada, que pode ser diferente da sua condição original, incluimos na recuperação os trabalhos que envolvam a devolução da funcionalidade ao ambiente. Um exemplo é o plantio de espécies para estabilização de solo e controle de erosão. Caso deseje-se a recuperação de uma área de encosta que apresenta riscos de movimentação de massas, pode-se executar projetos de recomposição vegetal usando espécies que, mesmo não fazendo parte do ecossistema original, cumprirão sua função. Um exemplo é o uso do vetiver (Vetiveria zizanioides), que é uma espécie exótica, mas amplamente utilizada em projetos de recuperação ambiental para estabilização de taludes e encostas.
Restauração #
O objetivo da restauração é a devolução da composição original e funcionalidade de um dado ecossistema. Inclui-se trabalhos de recomposição vegetal usando espécies de natural ocorrência na região, controle de espécies exóticas, reintrodução da fauna silvestre, entre outros. Para esse tipo de trabalho, é preciso um profundo entendimento sobre as condições naturais da gleba antes da degradação, pois o objetivo é a restituição dessa área o mais próximo possível da sua condição original.
Remediação #
Envolve a descontaminação de áreas degradadas. Muitas vezes, este trabalho é prévio às ações de recuperação e/ou de restauração. Inclui-se trabalhos de biorremediação, fitorremediação, contenção de contaminantes, dragagem e remediação de sedimentos, neutralização química do solo, entre outros. Os profissionais da área do meio físico, principalmente químicos, engenheiros químicos e semelhantes são essenciais para estes processos, pois envolvem geralmente a remoção de contaminantes químicos.
Bioengenharia #
A bioengenharia é um outro nicho em crescimento que aplica princípios de engenharia e design na análise de processos e sistemas biológicos, possivelmente influenciado pela emergência da biomimética. Reconhecendo que a vida orgânica, evolutiva, biodiversificada detém inquestionável resistência e resiliência ao ter-se mantido em contínua evolução por bilhões de anos em um planeta em constante transformação geológica e climática, muitos profissionais miram nesta inteligência para conceber suas tecnologias.
Exemplos de bioengenharia tem surgido com mais frequência na robótica, na medicina, na biorremediação de áreas contaminadas e inclusive na produção de produtos biodegradáveis. Estima-se que com o uso de modelos de inteligência artificial, inclusive com a capacidade de redesenhar moléculas orgânicas, muitas soluções para problemas ambientais deverão surgir.
Profissionais da consultoria e assessoria ambiental que se especializarem nesse ramo muito provavelmente estarão endossados pelo futuro.
Agroecologia #
Dado que uma das atividades econômicas de maior impacto ambiental negativo no planeta se dá justamente a partir das formas com que o ser humano produz o seu alimento, a agroecologia surgiu como alternativa. Sistemas agroflorestais, produção orgânica, sistemas alternativos que mudam radicalmente a forma de pensar o design e o propósito das propriedades rurais, sistemas que evitam a monocultura extensiva, entre outros foram surgindo e conquistando espaço nas feiras e supermercados.
Profissionais que superaram os desafios dessa transição, de um paradigma deteriorante para um paradigma regenerativo, que aprenderam largamente pela experiência, hoje prestam consultoria e assessoria ambiental ao agronegócio que possui a mesma lucidez.
Arquitetura sustentável e paisagismo regenerativo #
No campo da habitação e do urbanismo, a arquitetura e o paisagismo ocupam local de destaque ao considerarem formas menos impactantes de construir com eficiência energética, não apenas nos processos de construção, mas no uso e tempo de vida daquilo que é edificado. Além disso, formas de se assentar sobre a terra, que priorizam o bem-estar não apenas dos moradores humanos, mas da biodiversidade local tem sido cada vez mais consideradas.
O paisagismo ornamental feito com espécies exóticas, inclusive invasoras, tem dado espaço para o paisagismo regenerativo que trabalha com espécies locais, nativas que consorciam-se de forma a diminuir a demanda por manutenção enquanto alimentam e favorecem a dispersão da fauna silvestre. Da mesma forma, piscinas tradicionais têm sido substituídas por piscinas naturais que dispensam o uso de biocidas em sua manutenção.
Na consultoria e assessoria ambiental, encontraremos profissionais que trabalham especialmente com arquitetura, paisagismo e engenharia para que também as formas de se habitar na Terra sejam menos impactantes.
Arborização urbana #
Por arborização urbana, nos referimos a toda vegetação inclusa no perímetro urbano de um município, incluindo parques, praças, calçadas, áreas verdes públicas em geral, canteiros entre vias públicas, jardins públicos e privados.
Conforme SOARES, et. al., (2022) Alguns autores consideram a gestão da arborização urbana como a gestão de uma floresta urbana. Logo, incluem também quaisquer vegetação, independente de ser de porte arbóreo, arbustivo ou herbáceo, já que existem interações ecológicas entre toda a flora e a fauna.
A gestão da arborização urbana de um município inclui diversos serviços essenciais ao diagnóstico, ao planejamento, à manutenção e à melhorias das condições da flora e da fauna associada a esta.
Os serviços mais frequentemente solicitados são o manejo arbóreo visando a redução de riscos e a otimização da expectativa de vida dos espécimes presentes. Há muitos casos em que há necessidade de substituição ou a remoção de exemplares, o que incorre na necessidade de destocamento.
Além de serviços de rotina, muitas vezes ocorrem serviços de natureza emergencial, geralmente após eventos de ventania ou acidentes de trânsito.
A gestão da arborização urbana deve ser feita em proximidade com o setor de planejamento urbano e o setor de fiscalização ambiental, já que a administração pública precisa considerar os mais distintos interesses dos munícipes quanto à estética e outras funcionalidades da vegetação arbórea, arborescente e arbustiva no meio urbano.
Trata-se de uma categoria de serviços que precisa contar com bons arboristas e com um acervo de máquinas e equipamentos especializados, inclusive veículos com capacidade de assegurar acesso às copas mais altas.
Outros nichos de mercado para a CAA #
Na medida que o mundo vai melhorando para os seres humanos como civilização, às custas de ameaças impostas à vasta maioria dos ecossistemas naturais, temos nos dado conta de que permanecer nessa trajetória é desastroso para a biosfera. Por isso, novos nichos vão emergindo na busca por soluções ao nosso modo biofóbico e especicista de ser e estar nesse planeta. A lista colocada acima é apenas uma breve apresentação de alguns poucos nichos com grande evidência hoje. Estamos certos de que existem muitos mais, e que a contribuição de leitores ampliará ainda mais essa lista.
