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Trabalho de campo

Tempo estimado de leitura: 7 minutos

Ao prestar consultoria e assessoria ambiental, você vai se envolver com o ambiente natural, possivelmente em locais que poderão apresentar inúmeros desafios, como áreas declivosas, de difícil acesso ou com vegetação muito densa. Por isso, nessa seção abordaremos um pouco sobre a rotina em campo, oferecendo dicas gerais do que fazer, relatando experiências, e norteando ações que não devem ser realizadas. Claro que cada campo é uma experiência distinta, mesmo que você esteja indo para um mesmo lugar, pois o ambiente natural está em constante transição. Portanto, aqui oferecemos uma visão geral, mas, entenda que não é possível cobrir todas as possibilidades.

Existem muitos tipos de matos. Uma das coisas mais interessantes da profissão é reconhecer isso por dentro, na pele, e no esforço de andar em cada um cada um.
Fonte: © Quadrat Ambiental.

Pré-campo #

O trabalho de campo começa antes da própria visita, antes de qualquer coisa você precisa preparar os materiais, itens e pessoas que estão envolvidas na atividade. Um erro comum é esquecer itens no escritório que seriam necessários em campo, portanto, é prudente que os equipamentos sejam organizados, pelo menos, no dia anterior. Sugerimos o uso dos checklists para download em Checklists e Planilhas, os quais podem te ajudar a se orientar.

Outra coisa que deve ser feita é a testagem de pilhas e baterias de equipamentos. Você deve se certificar não só de levar o equipamento, mas também que ele esteja funcionando. Portanto, se você vai trazer consigo uma máquina fotográfica, uma lanterna, um gravador de som, qualquer equipamento recarregável ou que funcione movido à pilha, certifique-se que há energia suficiente para o campo no dia seguinte.

Também é prudente o planejamento quanto à alimentação. Se você ficará em campo o dia todo, precisará eventualmente fazer uma pausa para almoçar. Em locais urbanizados, isso não é um problema, você provavelmente encontrará um restaurante próximo. Entretanto, em locais distantes, por vezes torna-se inviável o almoço em restaurantes ou lancherias, simplesmente por estarem muito distantes e não valerem a pena o deslocamento ou o tempo dispendido. Nesses casos, pode-se preparar alimentos para serem levados em campo, desde que isso seja previamente planejado.

Nunca se esqueça de adicionar água entre o que está sendo levado, e considere que o serviço será possivelmente exaustivo, logo, não economize espaço. Realizar trabalhos em campo com sede, especialmente trabalhos árduos ou em dias quentes, torna-se bem exaustivo e pode afetar a saúde dos colaboradores.

Se o campo levará vários dias, e não é possível retornar diariamente, terá que pensar onde passará a noite durante o tempo de serviço. Dessa forma, tenha de antemão preparado um local, conforme o orçamento disponível (ver capítulo 14). Também é possível acampar, se preferir se manter em meio à vegetação ou em local próximo.

Pense nas condições climáticas, principalmente se haverá chuva ou não. Se movimentar em uma vegetação densa, enquanto chove, é uma tarefa complicada. Além de encharcar todas as roupas e equipamentos, que podem ser frágeis, também aumenta os riscos de queda e o desconforto geral nas atividades. Em nossa equipe, preferimos evitar dias chuvosos para realização de atividades, mas, em casos de urgência ou de baixa pluviosidade, pode-se pensar em levar capas de chuvas para contornar o problema.

Dicas para garantir uma experiência segura e eficiênte:

  • Leve água. Pode não parecer, mas água é uma das coisas mas pesadas que precisamos levar. Sempre faz falta.
  • Considere estadia com conforto. O foco deve estar na coleta de dados e não na solução de problemas de acampamento.
  • Planeje a alimentação. Novamente, para manter o foco, simplifique onde puder.
  • Verifique as condições climáticas. Não é incomum ficar sem coleta de dados porque choveu na planilha.
  • Um dia antes, separe todos os equipamentos necessários. Há situações que não é possível improvisar e a falta de recurso pode arruinar a missão.
  • Verifique o estado das baterias de quaisquer dos equipamentos e/ou leve um powerbankcom os adaptadores necessários.
  • Lembre-se dos EPIs. Botas, luvas, e colete sinalizador são essenciais em praticamente qualquer serviço.
  • Leve o telefone celular. Óbvio. Com a quantidade de recursos que hoje dispomos neste dispositivo, é possivelmente o equipamento mais importante de qualquer saída a campo.

Ainda, quando estamos falando de visitações à indústrias, seja para obter informações pertinentes ao licenciamento ambiental ou para outros fins, como mensurações para construção de uma ETE, você precisa se atentar previamente às informações que precisa coletar. Para saber as informações, você primeiro precisar ler o Termo de Referência do município para entender o que será pedido, e então se organizar. Uma prática comum é imprimir o TR para ser levado na visita técnica, juntamente com outros documentos a serem preenchidos, como formulários, para que se faça na hora a verificação de que está tudo OK. Evitará novas visitas desnecessárias.


Como organizar o trabalho em campo #

Para uma melhor eficiência em campo, é necessário que se faça a subdivisão do trabalho, e recomendamos que se faça isso por competência. Digamos que você esteja indo para um serviço de avaliação do meio biótico (fauna e flora), e você tenha três profissionais na sua equipe, um qualificado em botânica, o outro em fauna, e um terceiro um estagiário de Ciências Biológicas. Nesse caso, é um tanto óbvio, mas cada profissional deve ir para sua área de especialidade, e o estagiário irá atuar de maneira auxiliar, seja realizando os registros fotográficos ou mensurações de árvores, coletas de coordenadas geográficas, entre outros. Isso permite que os demais profissionais foquem no que sabem, e não se prendam às tarefas mais básicas que podem ser repassadas.

Outra dica importante aqui: nunca vá a campo sozinho, ou, pelo menos avise o restante de sua equipe que está indo a campo. Pode parecer evidente, mas você não sabe quando terá imprevistos em campo, que podem ser relativamente perigosos caso você esteja sozinho, e sobretudo em áreas cujo sinal telefônico é nulo.

Recomendamos ainda o uso de materiais para identificação de pontos de interesses e coleta de coordenadas geográficas desses mesmos pontos. Além de serem dados importantes em laudos, guardar a coordenada geográfica do ponto exato em que você instalou uma armadilha fotográfica ou outro equipamento semelhante é essencial para que você consiga achar durante a próxima visita.

Outra prática positiva é organizar os dados coletados em campo da forma mais entendível para qualquer outro profissional da sua equipe, pois pode ser que o técnico em campo não seja o único que irá trabalhar com a manipulação dos dados. Além disso, deve-se buscar estruturar o trabalho em campo para que facilite o trabalho em escritório, por exemplo, usando ferramentas de anotação de dados que possam ser facilmente repassadas para o computador. Claro que isso varia conforme a preferência do profissional, há aqueles que anotam em softwares (como o Mata Nativa), no celular ou usando papel e caneta. Deve-se balancear a alternativa que mais traz eficiência em campo e em escritório.

O Mata Nativa é bastante utilizado no processo de inventários florestais, conhecido por ser uma ferramenta simples e prática.
Fonte:© Mata Nativa.

Pós-campo #

Após o campo, obviamente é necessário atenção na organização dos materiais no escritório e no depósito do acervo de equipamentos, seguindo a organização padrão da empresa, para que outros colaboradores não percam tempo procurando no futuro. Recomendamos também que os dados brutos de levantamentos, bem como as fotografias, sejam repassados para o computador de forma acessível aos demais colaboradores com certa prioridade. Dessa forma, caso outros profissionais queiram já iniciar relatórios, poderão fazer com maior eficiência.

Impreterivelmente deve-se tomar o maior cuidado com os dados coletados em campo, sejam eles no formato digital ou impresso. A perda de dados é muito provavelmente irreparável e exigirá uma nova ida ao campo. Se esta saída esta não estiver prevista na proposta comercial apresentada ao cliente, ali já se iniciam os prejuízos.

Num mundo ideal, as etapas de realização dos serviços são registradas em aplicativos de gestão de projetos, tais como o Trello, o Notion, o Clickup, entre outros. Quaisquer destes aplicativos possuem versão Desktop e versão Mobile sendo facilmente atualizados até mesmo no caminho de volta.

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